PESQUISA

Os negros trazidos para o Brasil na condição de escravos representam uma porção significante da configuração sócio-cultural do país, foram componentes estruturantes dessa configuração, não excluído o sul do país.

Face muito significante dessa porção negra, afrodescendente, desenvolvida qui no Brasil em meio à diáspora africana é o povo de terreiro.

A necessidade de coexistência com um Brasil eurocêntrico exigiu o desenvolvimento de meios para manutenção e permanência dos costumes, saberes, crenças… ou seja, da identidade desta cultura. Protagonismo evidente nas mais diversas manifestações culturais dessa parcela do Brasil, o corpo é personagem principal no samba, na capoeira, no maracatu… Desvelamentos de uma ótica afro-brasileira. Assim, este projeto se propõe a pesquisar o desenvolvimento das relações do corpo(em movimento)/performatividade e a manutenção do legado histórico- cultural negro na comunidade de terreiro curitibana.

O terreiro Ile Iba Onim Omo loya Topé atualmente regido pelo Babalorisa Willian Oba Tunde e fundado há mais de 30 anos pelo Babalorisa Cezar de Yansa é o principal ambiente para esta pesquisa. O Ile Iba Onim Omo loya Topé apresenta em sua gênese marcos chaves para o vislumbre holístico da cultura de terreiro de Curitiba, pois foi coestruturado por importantes figuras históricas da cultura de terreiro do Paraná, os quais são eternizados por meio da transmissão de seus ensinamentos ainda hoje, através da atual gestão que se organiza para garantir a permanência deste legado.

Abordar a corpo-oralidade de terreiro como produtor/transmissor de conhecimento é ao mesmo tempo veículo de valorização da visão de mundo desta cultura, e potencial confluente dos dispositivos epistemológicos da dança- corpo-movimento (artes, filosofia e ciências) com os aspectos étnicos e litúrgicos da cultura de terreiro. Essa confluência forma a base desta pesquisa.